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domingo, 29 de abril de 2012


 Duas Realidades







Do outro lado da rua ele pensa, tem medo e não vai.
O sinal fecha, abre, fecha de novo e ele não vai.
Dá um passo, dois... desiste, tem medo.
Não sabe o que vai encontrar do lado de lá.
Gesticula, quer arriscar, levanta e de novo não vai.
Fica preso nos dois extremos da realidade.
A pista divide os pobres dos milionários,
A classe operária dos empresários,
O morro do asfalto.
Divide o ódio do amor,
A humildade da osetentação
A pobreza da riqueza.
Com medo do despreso e do ódio
Decide voltar e subir a favela.
Volta pra sua vida.
Mas, amanhã, vai tentar mais uma vez atravessar
A rua e enfrentar o outro lado da moeda.

Poeta das ruas: Luciano Campello
Twitter: @trocandoideeias
Favebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100001606242192

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dinheiro vai, Dinheiro vem



Não sou motivo de inveja pra ninguém. 
A roupa é humilde, o que é que tem?
Meu tênis não tem mola, mas mesmo assim eu pulo.
Quando não fujo da polícia me escondo no muro.
Medo não... É só precaução. 
Se eles me pegam, me chamam de ladrão e me jogam na prisão,
mesmo sem dever nada. 
É sempre assim, forjam uma flagrante só pra ver a burguesia aplaudir.
Na Tv eles riem alto e bebem champanhe. O cachorro come melhor que qualquer pessoa morando em invasão.
Fazer o que, não vou questionar.
Não queria isso, mas a resposta no mesmo padrão a rapaziada com um armas nas ruas dar.
Não quero motivar a violência, mas quem esbanja muito dinheiro na TV enquanto milhões passam fome, acaba sofrendo as consequências.


domingo, 13 de novembro de 2011

NEM ...

Nem eu, Nem você, Nem ele, Nem nós.
Nem da Rocinha, Nem da Vila, Nem do nada.
Nem preso, Nem ladrão, Nem polícia.
Prenderam o Nem, mas esqueceram da milícia.
Eí! Acorda doutor, vocês prenderam o bandido,
Mas esqueceram que o grande vilão está na mansão
de luxo, brindado e rindo de tudo isso.

Abafa o caso, Nem dá nada, quem mexe com engravatado
amanhece estirado na vala. A grana fala mais alto, mas Nem falou.
Tinha dinheiro, mas rodou. Claro! Virou notícia, muita gente interessada, tem que prender. Pegaram o bandido, viraram herói e apareceram na Tv, fazer o quê




Poeta das Ruas: Luciano Campello
Twitter: @trocandoideeias 

sábado, 16 de julho de 2011

Poetas da Periferia 2

Ei, Dexter, como vai seu mundo? Exilado sim, preso não vagabundo. Mundo dos sonhos, o moleque acordou, renasceu das cinzas e revoltou o doutor. Não vai desanimar, preste atenção, conflitos existem, tamo junto irmão. Fogo na bomba acendeu e já apagou, a letra foi certa, De Menos Crime quem mandou. São Mateus em estado de choque é melhor se acalmar, a bola da vez pode estourar. Se você ama seu gueto, chegue mais, cola aí, de Santa Catarina, Floripa MC'S. O Inquérito foi aberto é dia dos pais, meu super-herói um grande guerreiro rapaz, algum dia quem sabe nos encontramos por aí jogar uma bola e, em fim, se divertir. O brinquedo assassino apavorou o moleque, no castelo de madeira resistiu ao teste, faça por amor, mas tenha cuidado, para não jogar no mundo mais um filho ingrato. Tribo da Periferia toda reunida, o gravão comendo solto pelas ruas de Brasília. A cheirosa chegou com seu cabelo black, no carro de malandro saiu com o pivete. Ao cubo, mil desculpas, foi naquela sala, 1980 que rolou a parada, mas não se preocupa nasci pra vencer e da Cinderela jamais vou esquecer. O Consciência Humana traz boas lembranças da vila de terra e dos amigos de infância. Calma! Tá na hora de acordar, fazer uma viagem longa, o tempo não pode parar. Esteja em paz aqui e ali, contos do crime sempre vão existir, na luz do manhã sempre tem esperança Consciência X Atual emocionou as crianças. O FacçãoCentral desabafou, desculpa mãe pela roleta macabra, mas foi difícil no dia 12 de outubro eu não ganhar nada. Me armei e peguei a estrada, 666 era o número da marca.




Poeta das ruas: Luciano Campello
Twitter: @trocandoideeias

sábado, 9 de julho de 2011

Juan de Morais - In Memoriam


O dia era pra ser de paz para os moradores da favela.
A polícia entrou e tirou a tranquilidade que existia nela.
Uma arma, uma farda, poder exercido e moradores são tratados maus e confundidos com bandidos.
Para o morador, o traficante não é o seu pior pesadelo, mas sim a polícia, que entra, agredi e mata quem corre de medo.
Medo? É o que todos sentem, ainda mais quando a vítima da polícia é sempre um inocente.
Inocente... Que ainda tinha muito pra viver, pra contar e pra crescer.
Mas foi morto covardemente por aqueles que deveriam ele defender.
Lá se foi Juan de Morais, de 11 anos.
Não teve a oportunidade de falar e de ser ouvido.
Correu com medo dos tiros, foi morto e tratado como bandido.
A voz não se cala, precisamos lutar.
Hoje foi o Juan, amanhã pode ser o Fábio, Carlos, João,
Renato... Vítimas da violência policial e da ausência do Estado.

#Até Quando Brasil?
Twitter: @trocandoideeias

domingo, 26 de junho de 2011

DE SAMPA A BRASÍLIA


Numa conversa com o poeta Sérgio Vaz ele me mostrou o caminho das pedras. As pedras são duras e não tem como se esquivar delas. A minha atitude foi testada no Cooperifa. Fiz minha oratória, declamei e fui bem visto pela perifa. Valeu poeta, mas preciso ir a caminhada é longa e de Sampa a Brasília tem muitas terras a seguir. No DF, de cara, encontrei com o Japão. Poeta de Ceilândia, Samambaia, Gama, Recanto e Expansão... Moleque sonhador, guerreiro revolucionário que sempre mostrou para o Brasil que Brasília tem vários lados. Tem o político ladrão, o Congresso Nacional,o poder do lado, mas na mesa da dona Maria a cinco km dos poderosos falta pão, leite e saneamento básico. Pode acreditar, aqui é diferente do que você ver na TV, ou você acha que todo mundo anda de carro novo e acorda dando tchau para a presidente que só quer se aparecer bem pra você. Acorda! Se liga! Nem tudo que você ver é a verdade. Pare, pense e nunca se esqueça que estamos na mesma condição, o que só muda é a cidade.

Poeta das ruas: Luciano Campello
Twitter:@trocandoideeias